Bem-vindo ao meu blog de poesia. Aqui publico com irregularidade os meus poemas. Na página principal só consegue ver dois, pois não quero uma página infinita. Para ler mais basta seguir os "links" do lado esquerdo. Após a publicação do primeiro livro, a divulgação continua a ser a palavra de ordem. Por isso, espero pelos seus comentários e se gostar, partilhe! Obrigado e boas leituras.
Tuesday, March 06, 2018
A propósito do abraço
Tuesday, July 04, 2017
Afinal não é uma saga
Tuesday, June 27, 2017
Thursday, June 08, 2017
Manifesto
Friday, March 21, 2014
Dia Mundial da Poesia 2014
Portanto, sem mais assunto, versifiquemos:
Friday, August 16, 2013
Olhava as estrelas
Monday, August 20, 2012
Corporeus
Monday, July 23, 2012
Lábios
Monday, June 04, 2012
Precisão
Não consigo saber do que afinal preciso?
Sei que preciso de qualquer coisa:
Saber o que preciso e me faz falta.
Precisar o que quero saber
e saber do que não preciso.
Preciso de precisão!
Será mesmo que preciso?
Faz-me falta tanta coisa inútil?
Ser-me-á útil precisar tanto?
Mas afinal o que sei eu?
Sei que não preciso de nada…
Sei que preciso de tudo!
E no final…
Sei que preciso de saber.
Saberei precisar melhor?
Wednesday, May 16, 2012
Falta de Ar
Tuesday, May 08, 2012
Feliz Aniversário
Friday, May 04, 2012
Sem pressa
Corro e percorro caminhos por percorrer.
Sempre contigo no horizonte, sempre a recorrer.
E quanto mais corro menos cansado fico!
E o facto de a distância ser tanta e tão travessa,
só me dá vontade de correr e avançar mais depressa.
Vou pelo corredor desconhecido
que não tem luz ou água ou qualquer tipo de amparo.
Vou porque se não for fico como não quero, claro.
Quando vejo o fim do caminho não acredito;
os meus olhos estão cegos e o meu ego está aflito.
Vou correr mais um pouco até conseguir lá chegar
e se não chegar não chego, mas não tenciono parar.
Tuesday, March 13, 2012
Repetição
Monday, January 23, 2012
Os sonhadores
Sunday, August 14, 2011
Rua
“Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me pela primeira vez à terna indiferença do mundo.”
Albert Camus
Canto na rua,
na rua que é feita de pedras e azulejos
e de pegadas e desejos;
é feita de aromas que não conheço.
Na rua tudo se constrói, nada se destrói.
Tudo se edifica mas nada solidifica.
Na rua tudo desagua, tudo navega sem direcção.
Na rua onde há ruas e sinalização.
Onde os sonhos resvalam pelos ralos dos passeios,
na rua tudo se transforma em devaneios.
Nascem sentimentos que trazemos para a rua;
sensações que percorrem o céu a caminho da lua.
Da lua que ilumina os corredores mais insuspeitos
nas ruas que têm jardins repletos de amores-perfeitos.
Tenho pressa, quero chegar ao fim da rua,
quero existir lá, onde a rua é toda sua.
Quero chegar ao fim da rua e descansar.
Ao fim da rua que é rua, que nada mais sabe ser senão rua.
Rua! Rua! Rua! RUA!
Canto na rua.
Na rua que tem um canto sem encanto
onde eu espanto o meu pranto,
no canto da rua.
Este canto que é meu não está sujo. É branco.
E é tão branco! É branco, claro como este enfeite.
É branco franco como o branco do leite.
É o meu canto que é branco.
Imaculado, como o sentimento que tenho a meu lado.
No canto da rua onde canto o meu fado.
Wednesday, August 03, 2011
Segredo
.
O dia que ainda não chegou afasta-me da realidade.
A sonhar acordado como estou, fico assim e sonho…
aquilo que não sou.
As minhas fiéis amigas não me falham, nunca me falham.
Por elas divagam os sonhos, os meus sonhos.
E enquanto sonho não tenho medo e continuo preso
à lembrança sem me desenvencilhar do pensamento de ti.
Procuro palavras mas o vocabulário é escasso para o que sinto.
A saudade misturada com a incerteza, a certeza aglutinada…
colada à dúvida. Não quero mesmo acordar. Quero ficar assim
para não ter de decidir. Mas o pensar não me larga, a impressão
de nós juntos não me deixa ficar quieto; quero calar-me mas
também não consigo, porque quero, porque anseio, porque
desejo estar contigo.
Nada faz sentido no meu sonho e mesmo assim não quero acordar.
Ao relembrar o tempo que passámos juntos, os dias e noites que
formaram os nossos momentos. Momentos que ficaram a pairar
no ar bem à nossa frente, e que ambos recordamos com um sorriso.
É o nosso segredo, é o nosso sonho.
Sempre que abrirmos os olhos lá estará a memória a sorrir para nós.
A descoberta, a nossa descoberta… foi singular, foi bem regada! Foi
bem disposta , foi trabalhada na noite fria e na manhã quente;
foi encarnada à tardinha e pela noite dentro, com o olhar das estrelas
e o som do mar abismados perante o nosso êxtase. Foi bom, foi muito bom!
Foi tão bom que custa, que dói não podermos ter mais sempre que quisermos.
A matéria de tudo o que é composto, tudo o que é complicado,
tudo o que é difícil… derrete-se ao enfrentar o nosso beijo eterno.
Aquele beijo inconcebível de tão perfeito, aquele beijo que não
pode acontecer senão num sonho, no nosso sonho. E que dúvida!
Que dúvida ainda há que foste, que fomos as personagens
do nosso próprio dormir?
Acordámos juntos sob a neblina da madrugada, apenas para
nos abraçarmos perante a mais bela paisagem.
Não existe amanhecer completo sem a tua beleza!
Sem o teu jeito desajeitado, provocado pelo meu toque.
Espero pelo reencontro e tento conceber, imaginar o que te posso sussurrar ,
o que te posso murmurar suavemente ao ouvido
para te fazer ver o que fomos eu e tu. E beijar-te outra vez.
Adorar cada gesto teu como um tolo de amor, um louco embriagado
pelas suculentas essências que de ti emanam.
Quero espremer o nosso sumo, vertê-lo, sem o entornar! Degustá-lo
a teu lado, aproveitar tudo até à última gota.
Como um olhar inocente perdido num passeio de passagem,
uma certeza de intimidade, de reconhecimento impossíveis.
Afinal, ficámos perdidos um no outro para apenas nos perdermos mais.
Antes de os nossos olhos se encontrarem, antes de as nossas bocas se beijarem.
Antes e depois de os nossos corpos se embrulharem!
Foi assim mesmo que ficámos, apertados um contra o outro, parados
num momento que não pode acabar.
Um cigarro apaga-se mas o fumo ainda paira no ar, desvanece-se lentamente
sem aparentar saber para onde vai. Assim como eu e tu, abraçados,
perdidos num instante parado no tempo, a desejar que o tempo não passe.
Bem que fiz força para parar o tempo, mas é habilidade que não tenho.
Com a flor que pus na tua orelha tentei eternizar
o teu sorriso de menina. Sabes quão bonito é, o teu sorrir?
Um sorriso não vale nada se ninguém o pode ver.
Vale mesmo nada.
E o teu sorriso, o nosso sorriso valeu tudo.
Valeu por todas as flores que alguma vez te poderia dar.
Valeu por todos os sonhos em que sonho em te abraçar.
Vale por todos os verbos que conjugo para te recriar, para nos recriar.
Vale por todos os nomes, todas as comparações inúteis para
te descrever, para nos conceber. Não há verbo ou substantivo que
se encaixe no que foi a nossa palavra.
Do que ainda há-de ser. Gostava de saber…
Queria muito descobrir forma de tornar os segundos horas,
para assim prolongar a recordação de te ter nos meus braços.
Mas o tempo dispara, indiferente à minha vontade.
Não quer saber de mim, como tu quiseste.
Como eu sei que ainda queres.
Por isso, meu amor, não desesperes. Não chores! Não gosto de te ver chorar.
Ainda que eu próprio verta algumas lágrimas, ainda que até
o choro tenhamos partilhado.
Fazes-me falta agora que não tenho.
Agora que o meu sorriso não vale nada.
Agora que recordo o namorar-te, o arrepiar-te ao percorrer
a linha ténue e suave que desenha o teu corpo. Ver a tua pele à mercê
das minhas carícias. Sentir outra vez aquilo que sentimos quando
desejámos estar sozinhos, que toda a gente se evaporasse à nossa volta,
para podermos consumar o nosso desejo.
Fico triste quando tento controlar o ímpeto de te rever.
O nosso caminho foi construído de forma a que nos encontrássemos,
ainda que o tempo não tenha sido o mais fortuito, parece que
tudo foi feito para estarmos juntos naquele nosso momento.
Foi por pouco tempo que nos amámos, mas todo o tempo do mundo
não chegaria para separar o nosso abraço.
As palavras de amor fazem sentido quando escritas para ti, quando
reescritas para nós.
O luar foi inventado para nós! Existiu através dos tempos à nossa espera.
Como eu que tanto esperei e continuo a esperar, mas sem desesperar.
Não desespero porque tenho esperança. O meu olhar ficou perdido
no teu e de alguma forma tenho de o recuperar. Não porque me faça falta,
mas porque chorei de contente ao ver o mundo através de ti.
É pena que não possamos fazer promessas, a vida e o seu curso
assim o ditam. Mas é a única pena.
Teria trocado todo o tempo que me resta se o nosso tempo parasse;
se o nosso abraço, o nosso beijo adormecesse e se consumasse,
despreocupado, livre das ocupações a que a nossa condição nos obriga.
Que mais posso dizer?
Que mais me resta fazer?
Foram quantas noites de Amor?
Foram tantas que ficaram suspensas no ar, a pairar sob o nosso olhar
adormecido, anestesiado pelos momentos que passámos juntos.
Que mais me resta sentir?
Wednesday, July 20, 2011
Há noites
.
Há noites…
há noites em que penso que não penso.
Penso em não pensar em nada.
Mas depois chegam as noites…
as noites em que afinal penso.
Penso em ti, todas as noites.
Nas noites em que não quero pensar em nada.
Nas noites que passam pelo tempo
a ver o tempo passar.
Nas noites em que o tempo não passa.
Há noites que passo a pensar enquanto o tempo vai passando.
Passo-me a pensar no pensamento do tempo.
Há noites que não são noites e ainda assim eu penso!
Há noites que são deveras noites mas eu nunca me canso.
E entretanto as noites passam com o meu pensar;
passam comigo a pensar no passar do tempo.
Há noites em que não me resta mais tempo.
Há noites em que penso no teu passar intemporal;
No tempo em que passaste por mim sem pensar.
Fitei os teus olhos como quem não sente o próprio sentir.
Saí por uns segundos de mim e passei o tempo a olhar-nos.
Passámos os dois pelo tempo antes de juntos nos passarmos.
Friday, July 01, 2011
E porque não?
.
E porque não?
Porque não suspender uma qualquer vontade…
pendurá-la bem alto e ficar a olhar para ela,
como quem não sabe o que fazer para concretizá-la.
Porque não sorrir? Deixar mostrar os dentes e surpreender
um qualquer estranho que passe por nós na rua.
Porque não tentar?!
Mostrar ao mundo que o fundo ficou lá atrás, o buraco negro
onde vagueiam os tristes assombrados pela malvadez, pela
insensatez dos corações moles, inebriados que se mantêm fiéis a
si próprios sem saberem andar para frente sem olhar para trás, sem
tropeçar em si mesmos, por si mesmos.
E porque não…
Ficarmos assim, quietos… a relembrar…
a recordar…
aquilo que nos fez felizes, aquilo que nos avassalou de tal forma que…
ficámos avassalados, repetidos na sensação de que não falta nada
que nos falte, não há nada que precisemos. Porque não correr atrás
disso que não sabemos bem o que é mas que desejamos em todas
as horas, todos os minutos e segundos dos nossos sonhos?
Porque não sonhar?
E sonhar alto, sonhar acordados, deitados, embriagados. Sonhar
entusiasmados!
E porque não acreditar?
Porque não pensar que o amanhã será sempre melhor se assim
o quisermos, porque nos esforçámos sem esforço por ser aquilo
que somos. Porque somos sonhadores. Porque somos como somos.
Porque não dizer palavras bonitas…
porque não elogiar alguém e fazer bem aos outros?
E porque não…
Deixarmos de ser egoístas e sermos sim altruístas.
Porque não tentarmos ser artistas?
Desenhar, pintar, cantar, escrever as nossas canções,
declamar os nossos versos e pincelar aquilo que somos
na eternidade de uma obra de arte, da nossa arte.
Desenhar linhas curvas entrelaçadas com linhas rectas,
fazer rabiscos e concretizar raios e coriscos!
Porque não deixarmos de ser ariscos?
E porque não arriscar?
Sermos corajosos, desejar o que desejamos sem medo do que
pode acontecer. Sermos nós a acontecer!
Porque não acontece?
Porque não queremos.
Porque não acreditamos, e porque não arriscamos.
E porque não acabar?
Porque não.
Porque só acaba aquele que ficou sem voz, aquele que nada sabe de nós:
Os sonhadores, os poetas, os envergonhados.
Os campeões, os aldrabões e também os agarrados.
Não vamos esperar!
Vamos observar:
Tudo e todos e tudo e todos ao mesmo tempo,
vamos ver o sol nascer e a lua a dormir. Vamos olhar as
estrelas só porque são estrelas.
Ou então porque são belas, mas vamos olhá-las. Vamos
concordar e discordar, vamo-nos abraçar.
Porquê?
Porque sim.
Monday, May 23, 2011
Menina dos olhos verdes
Menina dos olhos verdes,
Invocaste um feitiço que me deixou quieto,
paralisado com o pensamento do teu jeito
sonhador que me faz também sonhar. O primeiro
olhar foi assumidamente distraído e inocente, mas
cheio de significado. Quis dizer, quis ser o começo
de um sentimento que não pára de crescer.
O tempo foi passando e os meus olhos começaram
a ficar da cor dos teus. O meu eu saiu de mim sem
me aperceber e deixei de me conhecer. Fiquei
sem conseguir compreender se a distracção tinha sido minha,
se a magia que senti não seria magia.
Mais uma vez o mar trouxe-me o teu aroma,
que só veio confirmar que o feitiço deveras aconteceu.
Menina dos olhos verdes, do olhar sonhador,
O tempo tornou-se meu inimigo;
tenho travado uma luta injusta que não parece ter fim,
que não consigo vencer. Sou vencido duas vezes:
uma pelos teus olhos e outra pelo tempo. Mas sou também
vencedor porque ganhei o teu querer, ainda que sem querer.
Depressa o teu olhar passou de distraído a cheio de intenção,
mesmo que o não soubesses. Foi isso que senti e me deixou
preso à linha ténue que separava o apaixonar-me por ti.
Aproximei-me.
Devagar, como quem domina a impaciência
de não conseguir raciocinar.
Menina dos olhos verdes, princesa dos poetas,
Encontro-me muitas vezes à briga com as palavras,
no desespero de encontrar expressões que definam
a tua singular beleza. Todos os adjectivos terão de ser
reinventados, porque têm de ser únicos, plurais, superlativos,
tudo isto ao mesmo tempo. Passaste, sem esforço, de uma visão
agradável a uma certeza de beleza; aquela certeza que os nossos
olhos têm quando foram feridos pelas flechas do Amor.
Penso ser óbvio neste momento que levei com uma chuva delas,
sendo cada uma a representação individual dos teus cabelos
à deriva por entre os meus dedos.
Menina dos olhos verdes, dos cabelos dourados,
A minha história foi escrita numa jangada que vagueou ao sabor
do vento na tua direcção. Deixou de ser a minha história e passou
a ser a nossa, naquela noite perfeita em que enlouquecemos,
rebentámos com a vontade acumulada pela impossibilidade que
foi imposta no nosso caminho. Até essa noite nunca teria imaginado
que um simples toque de mãos pudesse ser mais intenso que
o beijo mais apaixonado. Lembras-te quando as nossas mãos se tocaram?
Estava escrito assim nas estrelas, que todas as noites guiaram o nosso
andar, o nosso percorrer da realidade na procura do sonho.
Menina dos olhos verdes, da cor do mar,
Não há um dia que passe em que eu não me recorde:
o teu deslizar, o teu pairar de princesa enquanto corrias,
que nem uma criança na direcção do mar. Tudo isto banhada
pela luz do mais bonito luar. A melodia de te ver correr fez-me
sonhar acordado, ao realizar que o chapinhar dos teus pés na água
me fazia sorrir. E assim fiquei, a sorrir; a olhar-te sem dizer nada
para não deitar a perder nada.
Comecei a absorver-te sem conseguir parar, e quando dei por mim
já não estavas por perto, o dia começara a nascer.
Mas voltemos àquela noite, menina dos olhos verdes,
A noite em que as incertezas se tornaram notícia, pois explodi
a gritar para as estrelas, a contar a boa nova: a minha história
estava completa, porque estava contigo! Rapidamente o céu
começou a mudar; já tinha pedido à Lua que organizasse
um concerto estelar para embalar as horas em que escrevemos
o nosso poema. Nem reparámos que o espaço era tão apertado,
exíguo mesmo. A força que nos impelia na direcção um do outro
era tal que abraçar-nos era o nosso luxo, era o nosso espaço.
Ah… e depois surgiu o beijo, o tão esperado beijo.
Os nossos lábios tiveram dificuldade em perceber o que aconteceu
quando se tocaram, tal não foi a intensidade.
Sem saberem como reagir, foram-se encaixando, saciando loucamente
o desejo insaciável. Parecia o primeiro beijo. A atracção foi
tão avassaladora que o movimento se tornou torpe,
inconsequente, descontrolado.
Como poderíamos controlar tamanho desejo?
Menina dos olhos verdes; Ah! menina,
Os dias custam a passar quando apenas existe memória.
Lembrar o inevitável encontro que se perdeu no tempo é
doloroso e incontornável. Queria sorrir e pensar que os teus olhos
poderiam ser meus, mas como ambos sabemos, por vezes…
o querer não chega.
Falta coragem!
Falta não querer deixar morrer o sentimento nobre dos amantes
que não controlam o seu próprio sentir. Falta-nos sentir-nos outra vez,
outra e outra vez. Apostar em nós sem receio do que possa acontecer.
Porque o destino assim o diz, porque o destino assim o quis.
Menina dos olhos verdes, verdes, verdes!
Queria saber esperar. Ter paciência, controlar o desejo.
Mas sei que se foi o destino que te colocou no meu caminho,
também pode ser ele a subtrair-te do meu coração.
O núcleo de um poeta é o seu coração, que tem de ser regado,
irrigado, alimentado com o suco da paixão. Talvez consiga
aguentar mais um pouco, não sei… fá-lo-ei em nome da intensidade
que sentimos, os dois. Ainda que tenha sido breve, vou para sempre
reter a expressão na tua face quando, sem defesas,
te encontraste deitada no meu regaço.
Vou cantar a nossa canção, tentar aperfeiçoá-la, adjectivá-la como merece.
Mesmo que já esteja a ficar rouco, acredito que os teus olhos
não me enfeitiçaram em vão. Acredito que os nossos lábios se vão
encontrar outra vez. Seria duro demais não acreditar.
Menina dos olhos verdes, perdidos no tempo,
Vem, vamos envelhecer juntos como o vinho
que tanto gostamos. Vamo-nos embriagar um no outro,
quais grainhas que namoram no ventre da uva até que
o tempo diga que é tempo.
Vamos transformar-nos um no outro.
Vem, não tenhas medo; estou aqui à tua espera e prometo
guardar segredo.
Um suspiro, um sussurrar teu e o nosso sonho pode ser verdade.
Vem, não tenhas medo, vamos fugir de viver na saudade.

