.
Numa esfera quadrada correm as inquietações
do poeta apaixonado. Procura palavras que descrevam
o sentimento que almeja e pensa não alcançar. A Lua
rege o seu sentir, matreira. Com as suas fases, torna
o poeta descontrolado, aturdido pelas constantes
mudanças de luz. É na noite que o miúdo se encolhe,
se esconde e aguarda a chegada dos monstros do
armário, os monstros que assolam a sua solidão.
A ténue luz que vem lá de fora abrilhanta o medo sujo
e inocente.
Mas o miúdo graúdo acredita que é diferente.
Acredita que é poeta. Acredita no sentimento maior
que aquece o coração do homem, que o torna uno,
completo, inteiro.
O miúdo sonha de noite e o graúdo vive de dia.
A Lua só reflecte luz à noite e durante o dia
apaga-se.
A esfera continua quadrada, com arestas que
impedem o sentimento de circular.
Bem-vindo ao meu blog de poesia. Aqui publico com irregularidade os meus poemas. Na página principal só consegue ver dois, pois não quero uma página infinita. Para ler mais basta seguir os "links" do lado esquerdo. Após a publicação do primeiro livro, a divulgação continua a ser a palavra de ordem. Por isso, espero pelos seus comentários e se gostar, partilhe! Obrigado e boas leituras.
Friday, February 04, 2011
Monday, January 31, 2011
Absorvente
.
Estou cansado. Sinto que as forças me falham
e a cabeça não quer raciocinar. Há uma névoa
constante que tolhe a minha visão das coisas. Penso
como seria e tento imaginar o que nunca será.
Espero…
O cansaço insiste.
Ponho uma perna à frente da outra e
tento não tropeçar em mim próprio quando ando. Aos
poucos vou ficando tonto, como que lucidamente embriagado.
Pergunto-me se tudo o que acontece são testes ao meu carácter?
Tornei-me numa esponja que absorve e retém todos os
sofrimentos já sofridos. Talvez venha daí o cansaço.
Talvez deva espremer a esponja e deixar sair o líquido da desilusão.
Talvez assim desapareça a névoa que cobre a minha visão.
Talvez assim consiga sorrir sem ter de me preocupar
com o susto de dizer:
Oh! Por favor, outra vez não!
Talvez assim seja capaz de correr, não sei.
Talvez assim tropece de vez.
Ou talvez me levante sozinho.
Eu que preciso de mim:
talvez assim.
Estou cansado. Sinto que as forças me falham
e a cabeça não quer raciocinar. Há uma névoa
constante que tolhe a minha visão das coisas. Penso
como seria e tento imaginar o que nunca será.
Espero…
O cansaço insiste.
Ponho uma perna à frente da outra e
tento não tropeçar em mim próprio quando ando. Aos
poucos vou ficando tonto, como que lucidamente embriagado.
Pergunto-me se tudo o que acontece são testes ao meu carácter?
Tornei-me numa esponja que absorve e retém todos os
sofrimentos já sofridos. Talvez venha daí o cansaço.
Talvez deva espremer a esponja e deixar sair o líquido da desilusão.
Talvez assim desapareça a névoa que cobre a minha visão.
Talvez assim consiga sorrir sem ter de me preocupar
com o susto de dizer:
Oh! Por favor, outra vez não!
Talvez assim seja capaz de correr, não sei.
Talvez assim tropece de vez.
Ou talvez me levante sozinho.
Eu que preciso de mim:
talvez assim.
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