Tuesday, February 02, 2010

Palavras Tontas

.


As palavras que brincam umas com as outras,
querem crescer no conjunto a que estão agarradas.
Mas todas juntas ao mesmo tempo tornam-se rotas,
gastas, perdidas, tontas, ébrias, falhadas.

E o poeta que as junta e as tenta significar,
fica ele próprio confuso, deslocado e louco.
Porque é com as palavras que se quer expressar
e quando não consegue sabe-lhe mal, sabe-lhe a pouco.

Todas as moedas têm dois lados, pensa:
O verso e o reverso, como as palavras que são declinadas.
O enigma torna-se fixação, vício, religião e crença…
A mensagem torna-se global e as imagens deslumbradas.

E tentar rimar? Ai que a confusão aí impera!
No esforço de harmonizar, perde-se na ignóbil espera.

A musicalidade não surge e as notas perdem-se no vazio:
O poeta não consegue enjeitar e falha o seu próprio desafio.

Wednesday, January 27, 2010

Erre de erro

.


A raiva roeu-me todo roído
no regresso das regras irrigadas.
Enraivecido, rastejo pelas ruas e sou
fustigado por rajadas de relâmpagos!
O rapaz que se regozijava no seu recanto,
repetia sem parar o erre com som rrrrrrrrrrrrrrr…
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr…
rrrrrrrrrr…
Recomeço.
Enregelado, como quem se ri do rasto quente,
regurgito reminiscências raspadas das ruas.
Arranho algumas recordações, com receio de
relembrar a porrada que revelou ser ríspida.
Realmente…
Retraído pela traição revivida, vou de rojo
pelos romances reproduzidos sem reciprocidade.
Revejo-me na rispidez irreal da realidade.
Como reagir?! Não há erro.
A resposta é rasa e rápida… sem rodeios:
Com a letra erre, com erre grande, R.
De Raiva.