.
A tua imagem acalma o meu pensamento…
ver-te e sonhar que o ontem ainda não é amanhã.
Sonhar que hoje consigo sentir a melodia dentro de mim
e dançar com ela, em vez do costume,
sabes como é.
E agora na viagem de regresso as luzes brilham fortes,
mostram-me o caminho. Tenho andado por aí a vaguear:
por ruas desconhecidas e fui descobrir o aroma da descoberta,
encoberta na cobertura sobreposta a tudo aquilo que vemos.
A vista fica visivelmente visada, visto que deixei de ver.
As estrelas.
A estrada está fechada.
Tento subornar o porteiro mas o que tenho para oferecer não chega.
Palavras a mais no palavreado que já me cansa.
Se até eu fico cansado…
Imagino!
É tão bom imaginar…
O fumo desaparece lentamente, fica a neblina matinal.
Retomo a minha cruzada, cruzo os braços e aperto o passo.
Está frio e consigo perceber ecos de loucura. Caso não saibas,
ficas sabendo: O caminho está atrás de ti se lhe viras as costas.
Vira-te de frente e vê-lo-ás como deve ser visto, com olhos de ver,
de perceber, de querer.
Misturo amor, misturo alegria e misturo dor. Misturo tudo no
mesmo sítio, crio frio e afago calor.
Arrepios surgem ao olhar a tua imagem novamente.
Desta vez a mentira diz a verdade
e desta vez o fado não mente a saudade.
É uma panóplia.
Camadas e camadas transbordam de sentimentos acumulados.
Em casa, na rua, no estrangeiro; no conhecido e, sobretudo,
no desconhecido:
Misturo tudo e fico com tudo.
É assim que faço a minha estrada:
Não abdico de nada!
Bem-vindo ao meu blog de poesia. Aqui publico com irregularidade os meus poemas. Na página principal só consegue ver dois, pois não quero uma página infinita. Para ler mais basta seguir os "links" do lado esquerdo. Após a publicação do primeiro livro, a divulgação continua a ser a palavra de ordem. Por isso, espero pelos seus comentários e se gostar, partilhe! Obrigado e boas leituras.
Monday, July 12, 2010
Wednesday, June 09, 2010
Vento
.
O vento sopra suspiros de ontem
na chamada ao passado que tolhe a visão do futuro.
É forte, e os murmúrios são arrasadores, quais gritos agonizados
de seres adormecidos pelo tempo.
Não existe sofrimento, só resquícios de dor passada e futura angústia.
Atentamente, os sonhadores constroem muros que impedem
pesadelos, mas não há pedra que consiga suster tamanha ventania.
Um poeta chora as suas mágoas ao abrigo de uma árvore; respira
a natureza inocente, alheia aos dissabores do sentir humano.
O silvar do vento nas folhas da árvore é bem perceptível,
absorvido somente pela insensatez do embriagado adormecido.
É o vento, danado vento. Sempre vento e mais vento que sopra de
frente, numa luta contínua com a ténue brisa que sussurra por trás.
É o vento, danado, impiedoso, interminável vento.
O vento sopra suspiros de ontem
na chamada ao passado que tolhe a visão do futuro.
É forte, e os murmúrios são arrasadores, quais gritos agonizados
de seres adormecidos pelo tempo.
Não existe sofrimento, só resquícios de dor passada e futura angústia.
Atentamente, os sonhadores constroem muros que impedem
pesadelos, mas não há pedra que consiga suster tamanha ventania.
Um poeta chora as suas mágoas ao abrigo de uma árvore; respira
a natureza inocente, alheia aos dissabores do sentir humano.
O silvar do vento nas folhas da árvore é bem perceptível,
absorvido somente pela insensatez do embriagado adormecido.
É o vento, danado vento. Sempre vento e mais vento que sopra de
frente, numa luta contínua com a ténue brisa que sussurra por trás.
É o vento, danado, impiedoso, interminável vento.
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