Sunday, March 21, 2010

Canção I

Hoje é o dia mundial da Poesia.

Poetizemos!



O poeta cria sonhos com as palavras que canta
o leitor dá-lhes vida e todos os ouvintes encanta.
Na canção do louco que suspira por um melhor amanhecer,
todos somos intérpretes e todos temos de saber.

A letra! A letra de traz para a frente e da frente para trás,
para compreender aquilo que somos e tudo o que nos faz.
Juntos, fazemos melodias e cantamos rejubilados na loucura,
dos tontos que nada sabem e andam sempre à procura.

E o tema já é um todo, com cabeça tronco e membros, descobertos.
Reagimos todos ao mesmo som e ficamos todos despertos.
A gargalhada do surdo-mudo é agora bem audível,
ensurdecedora, faz-nos tapar os ouvidos com o ruído impossível.

As palavras ficam gastas de tanto uso na mesma canção.
A mensagem sempre foi a mesma, desprovida de cisma ou intenção.

Tuesday, February 02, 2010

Palavras Tontas

.


As palavras que brincam umas com as outras,
querem crescer no conjunto a que estão agarradas.
Mas todas juntas ao mesmo tempo tornam-se rotas,
gastas, perdidas, tontas, ébrias, falhadas.

E o poeta que as junta e as tenta significar,
fica ele próprio confuso, deslocado e louco.
Porque é com as palavras que se quer expressar
e quando não consegue sabe-lhe mal, sabe-lhe a pouco.

Todas as moedas têm dois lados, pensa:
O verso e o reverso, como as palavras que são declinadas.
O enigma torna-se fixação, vício, religião e crença…
A mensagem torna-se global e as imagens deslumbradas.

E tentar rimar? Ai que a confusão aí impera!
No esforço de harmonizar, perde-se na ignóbil espera.

A musicalidade não surge e as notas perdem-se no vazio:
O poeta não consegue enjeitar e falha o seu próprio desafio.